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A cada partida

E cada partida dele é um pedaço meu que se separa do seu calor na madrugada. Nos meus sonhos, uma flor na mão, olhando para o horizonte e a esperança de uma nova e tão afetuosa chegada. Meu amigo se foi, mas voltará pra casa. Eu gosto dele e ele gosta de mim.

Ideologia na tradução: textos sensíveis

O que segue é uma síntese de minha comunicação de vinte minutos na VII Jornada Tradufire, promovida pelo curso de pós-graduação em Língua Inglesa: Metodologia da Traduçã o, realizada em 1º de dezembro de 2018, na Faculdade Fafire. Espero poder despertar a reflexão no leitor, assim como creio ter conseguido despertar na assistência do evento. As notas de rodapé são informações adicionais. Antecipadamente, meus agradecimentos à Organização do evento. Se lubrificar bem, a introdução via anal não é desconfortável. ¹ Segundo Maingueneau (2004 apud BRANDÃO, 2018), é preciso adequar a linguagem à situação em que está se falando para obter sucesso na comunicação. Um enunciado apenas manterá o sentido no contexto em que é produzido, podendo ser interpretado de maneiras diferentes quando proferidas fora de seu contexto original. (KLEIMAN, 1997; KOCH, 2000) A sentença em destaque acima pode causar desconforto aos ouvidos de alguns, mas, se tivermos ciência de que se trata de um en...

O beijo de Leonardo

Sonhei com Leonardo. Eu estava posto em uma mesa escrevendo algo que não lembro o quê, talvez fosse a exteriorização dos sentimentos. Leonardo se aproximava por detrás de mim tocando-me desde os braços até as minhas mãos. Dava-me um beijo na cabeça e me fazia chorar desde o rim. Foi-se logo embora sem que eu pudesse vê-lo face a face nem ouvi-lo falar. Acordei e continuei chorando aqui dentro, pois, quando me toca, morre-me um pouco e sobrevivo só para escrever a dor que sangra no meu peito. Leonardo nunca mais voltou. Foi despedida aquele beijo de Leonardo. Toda a sua casa foi embora. Adeus, Leonardo! O seu banco ficou vazio. Leonardo tomava vinho e fumava cigarros L.A.

Blues Fúnebre, de W. H. Auden (1907-1973)

Desliguem o telefone, parem todos os relógios, Previnam o cachorro de latir com suculentos ossos, Silenciem os pianos e com tambores abafados Tragam o caixão, façam entrar os enlutados. Deixem os aviões circularem ao alto com choro Rabiscando no céu “Ele está Morto”. Nas pombas fúnebres ponham gravatas em seus pescoços brancos, Luvas pretas de algodão deixem usar os policiais de trânsito. Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste, Minha semana de trabalho e meu domingo cipreste, Meu meio-dia, minha meia-noite, minha canção e meu diálogo; Eu pensava que o amor duraria para sempre: mas estava errado. As estrelas não são mais desejáveis; apaguem uma a uma; Desmanchem o sol, derrubem a lua, Sequem o oceano e devastem a floresta; Nada mais do que vier interessa. Neste poema de versos AABB, o locutor que não é identificado (gênero desconhecido¹) lamenta a morte de alguém muito amado (talvez um filho, um irmão, amigo ou companheiro). Um contr...

“Quando minha mãe estava grávida”, Rupi Kaur

quando minha mãe estava grávida do seu segundo bebê eu tinha quatro anos eu apontei para sua barriga inchada confusa sobre como minha mãe tinha ficado tão grande em tão pouco tempo meu pai me pegou em seus braços robustos e disse que a coisa mais próxima de deus na terra é o corpo de uma mulher é de onde vem a vida e ter um homem maduro que me dissesse algo tão forte ainda tão jovem fez-me ver que o universo inteiro repousava aos pés da minha mãe – rupi kaur (tradução de wendell s.) Nota 1 : original retirado do livro milk and honey , publicado em 2015 pela Andrews McMeel.

Cântico I – De apresentação

Vigia enquanto existe dia Pois a noite a mim pertence Vigia enquanto existe Hinom Pois o verme corre pela minha mão Eu sou a noite e o vapor da madrugada O canto do curiango e o rastejar do sátira A corrida da serpente e o clamor de Lilith Pelo calor de Samael na escuridão Eu sou, eu hei de ser A corda e o patíbulo O rito e o impelidor Quem me evoca pelo nome cairá prostrado ao chão

Presença notívaga

Ao término do jantar, recolhe a mesa deixando apenas o café e a garrafa para não dormir durante a noite (mas é provável que já tenha se tornado um vício para as noites assim como é tão provável que pegue no sono devido à longa jornada do dia). Diante de si, o computador e sua fiel companheira dormindo sob suas pernas para que se sinta protegida no calor dos seus pés. Ambos frágeis, indefesos, vulneráveis. Pratos empilhados, ora amontoados tão perfeitamente bem quanto sua mania de desorganização, na pia e livros de literatura e linguística pela casa formam o cenário perfeito ao lado de seu corpo quase nu e vesgo. Não sabe mais se fala a Deus e, mesmo assim, acende uma vela para Iemanjá, sem tocar o mar, por acreditar no poder acalentador da maternidade. E as portas nunca se abrem. As horas passam e o sono não chega (mas o café já perde seu sabor; passa outro) – a sobriedade o assusta, então se deita na esperança de que um dia poderá dormir em paz.