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Mostrando postagens com o rótulo crônica

Esvaindo-se pelas frestas (ou O estranho à própria vida)

Quando se realiza o viver, pergunta-se: mas era só isto? E a resposta é: não é só isto, é exatamente isto.  —  Clarice Lispector, em "A Paixão Segundo G.H." Por: Marcel K. Artista: Tom Swick. "Como viver?" Não é essa a pergunta que intermitentemente surge em cada um de nós desde o primeiro despertar da nossa consciência? Questionar se a vida vale a pena ser vivida é estimular a pilhéria como resposta: depende do (sobre)vivente. No entanto, o espírito da resposta é, no mínimo, libertador, pois apenas se o indivíduo conseguir resolver satisfatoriamente a questão/problemática de como viver é que poderá, então, decidir se esse inescapável vale de lágrimas pode ser transformado em algo positivo. Misericordiosamente, a questão apresenta-se infinita e indissolúvel, e assim nós a levamos, juntamente com outros pontos cruciais, muito além da metade da nossa efêmera existência (frequentemente, até o fim dela). Em alguns casos — talvez na maioria deles —...

Sobre a normalidade apática...

Por: Leila Tavares Eis-me aqui a pensar de onde parte o conceito de normalidade. Entre pensamentos absortos, este tema tende a me perturbar. O mundo a cada dia, parece inebriado pelo ter, fazer, mostrar. Os desejos e paixões por algo maior, não são estimulados.

A Diva das Escadas na Noite de Maria do Céu

Por: Yure de Souza   Seu nome, Sheila Braga. Sua viagem particular? Encantar os frequentadores do Clube Metrópole com suas performances nas escadarias da New York Street no coração do clube noturno mais badalado de Recife. Pessoalmente, já fiquei eufórico com uma de suas apresentações e, definitivamente, antes apenas Sheila e agora Sheila dos Degraus, a Diva é marca registrada da casa e já houve até festa exclusiva para ela. Como muitos, já me diverti bastante nas festas da Metrópole. Numa única noite, passo por meninos bonitos e alegres, cheios de vida e sensualidade. Uma explosão de luxúria e furor sexual invadem os banheiros e corredores sinuosos que levam a tantos lugares iluminados a neon e lasers, cheiro de uísque misturado a tantos perfumes, tantos cheiros de peles masculinas e femininas ávidas por beijos acalorados e bocas perversas que anseiam encontrar outras bocas. No meio da Babilônia de sentidos e odores e falta completa de pudores, ela reina absoluta, diva, sedu...

Êxtase...

Por: Valmir Sá Repentinamente sinto velozmente o sangue correr em minhas veias como a brincar de liberdade, deixando-me em palpitação saturada de 101%. E logo sei: é ela chegando, amiga noite. Enfeito-me, perfumo-me, visto meu corpo nu, e sento em uma poltrona teatral de um espetáculo só meu. E assim lentamente observo as luzes apagarem-se, fazendo assim visível um palco que e só meu. Aprecio, aplaudo, critico, analiso, dou gargalhadas, sereniso, calo, grito e vai assim passando tempo, hora, minuto e segundo. E sem perceber, como sucção energética, vou descarregando porcentagem de um ser que se carrega de luz. Logo, vejo agressivamente raios ultravioletas adentrarem a arena, estragando a beleza de um ambiente sereno. Adormeço enquanto os normais rotineiramente efetuam suas obrigações. E quando o despertar da pulsação de minhas artérias emocionais gritam, logo sorrio levemente, sabendo que, de gozo extasiado, viverei mais uma madrugada de rei da solidão. ~ VALMIR ...