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A hora da estrela (Clarice Lispector)

Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. A obra a ser comentada é A hora da estrela , de Clarice Lispector, publicada em 1977 e considerada “o livro mais surpreendente que escreveu”, segundo José Castello (1998). Considerarei a primeira edição da Rocco (1998), que tive a grande honra de receber das mãos de um grande amigo adepto de constantes leituras, Marcel Koury . Reprodução de capa. Sob o nome de Rodrigo S.M., Clarice (íntima póstuma) tenta se esconder de seu leitor. A história leva um tanto de tempo para que se inicie e a figura principal, quando finalmente se identifica, tira-nos uma inevitável gargalhada: E, se me permite, qual é mesmo a sua graça? Macabéa. Maca, o que? Béa, foi ela obrigada a completar. Me de...